Desde o lançamento do ChatGPT (modelo com Inteligência Artificial Generativa (IA-Gen)), muitas outras ferramentas surgiram com esta componente de inteligência artificial (IA), sendo de esperar que entre os milhões de utilizadores atuais estejam alunos e professores.
Sendo a aprendizagem um processo que envolve esforço, poderá ser tentador recorrer a ferramentas com IA-Gen para gerar integralmente os trabalhos escolares e evitar o desconforto que muitas vezes o processo de aprendizagem implica. Assim, estes modelos poderão ser usados para gerar, em poucos minutos, trabalhos com elevada qualidade, sem que no processo tenha sido feita qualquer aprendizagem e sem que os professores se apercebam de que não foram os alunos que realizaram os trabalhos, uma vez que, até à data, é difícil distinguir com elevada certeza, conteúdos (principalmente no formato de texto) gerados por IA-Gen daqueles que são integralmente realizados por humanos.
Encarando esta realidade, será desejável que os professores tenham competências para conseguirem orientar os seus alunos para uma utilização ética e pedagogicamente vantajosa destas ferramentas. Neste contexto, a formação de professores pode ser determinante para que os professores entendam como funciona a IA-Gen, conheçam e experimentem ferramentas com IA-Gen e reflitam sobre os desafios éticos que estas ferramentas levantam. Mas é ainda necessário que conheçam as potencialidades e as limitações destas ferramentas, bem como um conjunto de estratégias que lhes permitam integrá-las na sua prática letiva de forma ética e com valor pedagógico. Sendo uma característica destes modelos responder de forma imprevisível, gerando frequentemente conteúdos incorretos, o acompanhamento das interações dos alunos pode ser extenuante para os professores, pelo que a formação de professores será o espaço adequado para que, antes e após a utilização destas ferramentas em sala de aula, sejam partilhadas, discutidas e refletidas de forma colaborativa, as estratégias que melhor se adequem a cada contexto educativo, levando os alunos a aprender a aprender com a ajuda destas ferramentas e dos seus professores.
Como foi concluído pela UNESCO, em Santiago do Chile, no passado dia 29 de agosto, a utilização de ferramentas com IA deverá ampliar a dimensão relacional e afetiva da aprendizagem, sem substituir o papel fundamental dos professores no desenvolvimento integral dos alunos.
Os professores portugueses estarão preparados para lidar com esta realidade?